Obras de duplicação na Rodovia do Açúcar estão paralisadas

Trecho que liga Capivari a Piracicaba envolve terras que ainda não foram desapropriadas

Concessionária garante que obras serão retomadas com ritmo normal (Foto: Laila Braghero/O Semanário)

Concessionária garante que obras serão retomadas com ritmo normal (Foto: Laila Braghero/O Semanário)

Durante a primeira sessão ordinária de 2014, que aconteceu na segunda-feira, 3, no plenário da Câmara de Capivari, o vereador Mateus Scarso (PMDB) questionou a paralisação das obras de duplicação na Rodovia Comendador Mário Dedini (SP 308), mais conhecida como Rodovia do Açúcar, sentido Capivari – Piracicaba.

Segundo ele, a empresa contratada pela Rodovias do Tietê, concessionária que administra o trecho, para realizar a duplicação é a Ellenco, cujo maquinário foi retirado e o vereador diz não entender o motivo. Scarso afirma, ainda, que é preciso cobrar agilidade da concessionária, pois na situação em que se encontra o local o risco de acidentes é preocupante, sobretudo para as pessoas que precisam “cruzar” a pista.

“Na rotatória da Avenida Dr. Ênio Pires de Camargo com a Rodovia do Açúcar, por exemplo, é um perigo atravessar a pista porque está impedido. Não dá para passar embaixo do viaduto”, explica. O vereador Júnior Pazianotto (PPS), por sua vez, conta que o assunto já foi discutido com o deputado estadual Roberto Morais (PPS), que disse que o problema está na cidade de Rio das Pedras.

De acordo com o deputado, existe uma barreira judicial, devido a duas terras na entrada da cidade que ainda não foram desapropriadas. “A Rodovias do Tietê está aguardando a autorização judicial de desapropriação das terras, para que se possa dar continuidade à duplicação”, detalha Júnior Pazianotto .

Porém, Mateus Scarso questiona a viabilidade de continuar a obra pelo menos do lado de Capivari, mas segundo Morais, a concessionária segue um cronograma, o qual não pode ser alterado. “Assim, enquanto uma área aguarda a regularização, o maquinário é transferido para obras de outras regiões, até que tudo seja normalizado”, esclarece Júnior Pazianotto , depois de conversar ao telefone com o deputado.

Por outro lado, em nota a Rodovias do Tietê informou que a paralisação das obras na rodovia SP 308 se deve à desapropriação de 19 terras, sendo que 14 estão no Fórum de Rio das Pedras e cinco em Capivari. De acordo com a concessionária, o custo operacional para intervenção apenas nos pequenos trechos liberados é alto, se levado em conta o investimento total na obra, devido à mobilização do maquinário.

A Assessoria de Comunicação e Imprensa da Rodovias do Tietê garante, também, que a obra será retomada com ritmo normal assim que as desapropriações estiverem finalizadas e liberadas, mediante decisão judicial.

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Publicada na página 13 da edição 1138 do jornal O Semanário, em 14 de fevereiro de 2014.

Câmara aprova Dia do DeMolay

Homenagem reconhece atuação do grupo em benefício da sociedade

Ordem acompanha sessão ordinária na Câmara de Capivari (Foto: Laila Braghero/O Semanário)

Ordem acompanha sessão ordinária na Câmara de Capivari (Foto: Laila Braghero/O Semanário)

Por unanimidade, os vereadores aprovaram na segunda-feira, 10, durante a segunda sessão ordinária do ano, a lei que institui o dia 18 de março como Dia Municipal do DeMolay. O projeto é de autoria do vereador Flávio Carvalho e visa, segundo ele, homenagear e incentivar o grupo DeMolay de Capivari – Capítulo “Ordem e Progresso” nº 73/480.

Para Carvalho, numa época em que a maioria dos jovens se desregra socialmente e caminha a passos largos rumo às drogas e à total alienação quanto aos valores sociais, é dever dos homens públicos, como também dos cidadãos, exaltar aqueles que estão verdadeiramente preocupados com o próprio futuro, os quais seguem no caminho do respeito e da fraternidade.

“Nós temos orgulho de cada um de vocês, porque vocês ‘são a luz no fim do túnel’ num país que parece estar ‘voando às cegas’. Hoje talvez vocês estejam nos ensinando muito mais do que os exemplos que nós os oferecemos”, comenta o vereador. A Ordem DeMolay “trabalha alicerçada na máxima de que educando o jovem nos eximiremos da tarefa de castigarmos o adulto”, segundo Carvalho.

Trata-se de uma organização mundial com fins filosóficos e filantrópicos patrocinada pela maçonaria, que surgiu em 24 de março de 1919 em Kansas City, Missouri (EUA), pelo maçom Frank Sherman Land. Com o propósito de formar bons cidadãos que convivam em harmonia, o grupo de jovens desenvolve programas de auxílio ao próximo no que diz respeito às necessidades básicas e educacionais.

“Realizamos ações beneficentes tanto para as populações como para as entidades da cidade: Associação Santa Rita de Cássia, Lar dos Velhinhos, Casa da Sopa e Casa da Criança. Sempre que podemos fazer alguma coisa por elas nós fazemos, seja uma doação em dinheiro, seja um trabalho, estamos sempre à disposição”, conta o mestre conselheiro regional Matheus Osti Cuan, 16, cuja função compreende nove cidades e dez Capítulos.

Quando perguntado sobre a conquista junto ao Poder Legislativo, o jovem estudante do ensino médio no Colégio Luiz de Queiroz (CLQ), em Piracicaba, diz que encara como um reconhecimento dos serviços cumpridos pela Ordem, o que influencia ainda mais na vontade de trabalhar pela melhoria da população capivariana. “A gente nunca pediu nada a eles antes. Logo na primeira vez já somos atendidos”.

A escolha da data para a homenagem marca o falecimento do francês Jacques de Molay, 23º e último grão-mestre da Ordem dos Templários, morto em 18 de março de 1314 junto a outros membros, por contestar as falsas acusações de heresia e infidelidade à igreja, feitas pelo rei Filipe IV de França. Acredita-se que o motivo das incriminações fosse para adquirir as posses da Ordem, visto que em caso de prisão, os bens passariam a pertencer ao Estado.

Faça parte

Segundo Cuan, para ingressar na Ordem DeMolay, destinada apenas ao sexo masculino, é necessário ter entre 12 e 21 anos. Atingida a idade máxima, o integrante pode continuar frequentando as reuniões, mas deixa de ser um DeMolay oficial, explica o mestre conselheiro regional. “Aqui em Capivari a gente trabalha com uma média de 16 membros, que é a quantidade ideal para a execução das tarefas”, destaca.

No entanto, os jovens são submetidos a um procedimento padrão e seletivo, o qual decide se o rapaz está ou não apto a participar do grupo. “A gente escolhe as pessoas de acordo com o perfil delas”, completa Matheus Cuan. Para mais informações, os interessados podem acessar o perfil do Capítulo “Ordem e Progresso” nº 73/480 no Facebook (facebook.com/ordemeprogresso.capivari).

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Publicada na página 9 da edição 1138 do jornal O Semanário, de 14 de fevereiro de 2014.

Obras de restauração são iniciadas na Capela de Itapeva

Famílias têm pouco mais de 60 dias para deixarem as casas; obras na capela serão concluídas no mesmo período

Telhado da Capela Itapeva, na fazenda de mesmo nome, estava desabando (Foto: Reprodução/Rádio R FM)

Telhado da Capela Itapeva, na fazenda de mesmo nome, estava desabando (Foto: Reprodução/Rádio R FM)

Como a maioria deve saber, mais de 200 famílias das áreas rurais de Rafard, Capivari e Elias Fausto receberam, no mês passado, notificações da Raízen, usina originária de uma join venture (associação de empresas) entre Cosan e Shell, para que deixassem seus lares em 90 dias. Isso inclui os moradores da Fazenda Itapeva, de Rafard. Com a demolição das casas, a usina retomará as terras, com a justificativa de que estas estão em “péssimas condições de conservação da edificação”.

Em meio a toda essa polêmica, para cumprir o acordo com o Ministério Público, a Raízen iniciou na segunda-feira, 3, a restauração da Capela de São João Batista de Itapeva, que fica na área central da fazenda. A iniciativa é almejada há muito tempo, sobretudo pelos rafardenses. Os trabalhadores que estão à frente da recuperação são da empresa CR Engenharia. Se o tempo ajudar, a obra será concluída entre 50 e 60 dias.

A Capela de Itapeva marca a fundação das cidades de Rafard e Capivari. Foi a primeira capela construída na região, por volta de 1795, pelo padre João Ferreira de Oliveira Bueno, junto à casa grande, ao lado do açude, da casa do engenho, das senzalas, dos estábulos pavimentados e do embarcadouro da Fazenda São João Batista de Capivari (atual Fazenda Itapeva).

Parte do conjunto de patrimônios históricos e culturais das duas cidades, o interior da capelinha estava arruinado, o telhado desabando e as Imagens perdidas em meio a aranhas, formigas e abelhas. Vitória do povo, que sempre almejou a restauração da Capela de Itapeva para preservação da história e, porque não dizer, para atrair turistas como geração de renda? Ou palmas para a Raízen? Será que alguém irá à missa no meio do canavial?

“Não adianta fazer igreja lá. Vai rezar a missa para quem?”, questiona o vereador de Rafard, Luiz Antonio Ferreira Brito (SDD), durante a primeira sessão ordinária do ano, 4. Indignado com a situação, Brito pede que o prefeito César Moreira não “deixe o problema na gaveta”. Para ele, de nada adianta, agora, a restauração, se a vizinhança da capela está com os dias contados.

O vereador lembra, ainda, que lá existem famílias com crianças, idosos e pessoas doentes. “A fazenda é deles [da usina], eles fazem o que quiserem. Se querem derrubar, o azar é deles. Então, nada mais justo do que cederem um terreno e trazerem esse povo para cá, porque morar na fazenda é muito complicado”, afirma e revela outro problema enfrentado pelos moradores. A água suja.

“Beber aquela água nojenta que eles estão sujeitos é desumano. E todo mundo aqui está sabendo disso. A prefeitura sabe, mas não toma nenhuma providência. Quero que o senhor prefeito vá até lá, tome aquela água durante um dia inteiro e depois tome uma providência”, conclui.

Angustiado com o despejo, o vereador de Capivari, Flávio Carvalho (PSDB), alerta que somente com a soma de todos os poderes constituídos das três cidades – Executivo, Legislativo e Judiciário – a população vai conseguir evitar esse transtorno.

“A Raízen não tem qualquer tipo de compromisso com a sociedade. Para eles, nós somos apenas um número. Imaginem 200 famílias na rua da noite para o dia. Esse pessoal vai para onde? A gente precisa fazer alguma coisa. Panelaço, interditar rodovia”, sugere Carvalho e garante que se preciso for, as cidades devem ir até o governador, a fim de que possam ser atendidas e haja “o mínimo de bom senso da Raízen com tudo o que está acontecendo”.

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Publicada na página 5 da edição 1137 do jornal O Semanário, em 7 de fevereiro de 2014.

‘Quero ser uma pintora da minha terra’

No último domingo, 23, meu namorado e eu aproveitamos a manhã nublada para conhecer o casarão da Fazenda São Bernardo, onde nasceu (em 1886) e viveu parte da infância a pintora modernista Tarsila do Amaral, dona da frase que dá nome a este post. A preciosidade fica na cidade de Rafard, mas na época o município ainda não era emancipado e fazia parte de Capivari.

Patrimônio tombado desde 2011, a casa e seu entorno (31 hectares) pertencem à empresa Radar, do Grupo Cosan, que cede as terras em comodato à usina Raízen, da mesma corporação. Hoje, o casarão está fechado e deve ser restaurado em breve, assim que a área for oficialmente doada à instituição Abaçaí Cultura e Arte, a qual será responsável por promover a cultura do local.

Enfim. Nós demos nossos pulos e conseguimos entrar na casa de Tarsila. Só faltou conhecermos a senzala, que é ligada à casa por um alçapão (tava escuro pra dedéu. Na próxima a gente vai com mais coragem). Depois, esticamos o passeio até a Fazenda Itapeva, onde pudemos ver mais de perto a capela de mesmo nome e uma belíssima represa. Confere aí: